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Estilhaços de História Boliviana: Cristóvão Colombo é vaiado em 1992; a privatização da água é rechaçada em protestos colossais; Evo Morales é eleito o 1º presidente indígena no continente…

Informações extraídas de “Ódio ao Ocidente”, de Jean Ziegler (Ed. Cortez, 2011)

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Em 1992, por ocasião dos 500 anos do início da Conquista da América, iria acontecer em La Paz uma “suntuosa festa de aniversário” organizada pelas autoridades branquelas. Emergindo dos indígenas, que constituem mais de metade da população do país, nasceu um protesto colossal: “várias centenas de milhares de aimarás, quíchuas, moxos e guaranís (…) vaiaram Cristóvão Colombo, derrubaram as tribunas de honra e ocuparam a capital durante quatro dias” (p. 207).

Cerca de uma década depois, o presidente Lozada, um milionário que passou boa parte de sua vida em Miami, depois de ter privatizado tudo o que tinha direito, chegou ao cúmulo de pôr em marcha a privatização da água potável. Empresas multinacionais européias como a Suez e a International Water Limited ganharam, a preço de babana, as concessões. Em sequência, “aumentaram massivamente o preço da água potável e centenas de milhares de famílias viram-se na impossibilidade de pagar a conta. Elas tiveram que se abastecer nos riachos poluídos, nos poços envenenados pelo arsênico. As mortes infantis pela ‘diarreia sangrenta’ aumentaram potencialmente. Manifestações públicas começaram a explodir.” (ZIEGLER: 2011, p. 2008) 

Confrontos com a polícia deixam dezenas de mortos, centenas de feridos. “Mas os bolivianos não se dobraram. O movimento se espalhou por todo o país. No dia 17 de outubro de 2003, cercados no palácio Quemado por uma multidão enfurecida de mais de 200 mil manifestantes, o presidente Lozada e seus comparsas mais próximos decidiram fugir do país. Destino: Miami.” (idem). Não surpreende, pois, que a Bolívia tenha se insurgido contra os políticos que são chamados de “Vende-pátria” ao elegerem Evo Morales em 2006, o primeiro presidente indígena da história do continente…

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Imagem: Guerra del Agua, Cochabamba, Bolivia. Abril 2000. Autor: Aldo Cardoso