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Foto da semana: Uma descoberta magnética

Nossa foto da semana presta uma justíssima homenagem a um dos grandes cientistas e experimentalistas do século 19, Michael Faraday. Suas grandes contribuições à ciência perpassam os campos da física e da química de forma geral e, em especial, as áreas da eletricidade e do magnetismo – tendo sido, inclusive, um dos primeiros a explorar a relação próxima entre elas. De origem humilde, o despertar de seu interesse pela ciência é um grande exemplo da importância da divulgação científica e o próprio pesquisador dedicou muito de seu tempo a essa atividade. 

Muitas das ideias propostas por Farady afetam diretamente nosso cotidiano. Uma de suas contribuições mais importantes foi feita justamente num 29 de agosto, 182 anos atrás, em 1831. Nesse dia, o jovem experimentalista descobriu o princípio da indução magnética, cuja pesquisa também era alvo de muitos outros cientistas da época. 

No fenômeno estudado pelo inglês, um campo magnético variável (gerado, por exemplo, por uma corrente elétrica alternada, como as da tomada da sua casa) produz em um condutor (um circuito elétrico) uma corrente elétrica, chamada ‘induzida’. Este é o princípio fundamental empregado em transformadores, geradores, motores elétricos, entre outras máquinas elétricas. Antes disso, Faraday já havia descoberto o princípio por trás do motor elétrico.

Conheça mais detalhes sobre a vida de Faraday e leia mais sobre o fenômeno da indução eletromagnética

Seu trabalho foi fundamental para o avanço de nossa sociedade eletrizada e serviu de base para avanços de cientistas como Thomas Edison e Nikola Tesla – aliás, você pode conferir mais sobre as vidas – e a rixa – entre esses dois pesquisadores na nossa galeria de ‘fotos da semana’! 

Na área da química, entre outras contribuições, Faraday descobriu o benzeno, contribuiu para avanços na metalurgia e metalografia e também na refrigeração, sendo o primeiro a liquefazer gases como o dióxido de carbono e o cloro. Foi, ainda, um dos pioneiros da eletroquímica e cunhou termos como eletrólito, ânodo, catodo, eletrodo e íon. 

O mais curioso, contudo, é que Faraday não era nobre nem rico. Era filho de um ferreiro e trabalhou, desde os 14 anos, como aprendiz numa loja de encadernação. Aos poucos, descobriu o gosto pelos livros, em especial de ciência, um interesse que acabou levando o jovem a frequentar conferências abertas ao público da Royal Institution, em Londres.  

Anos depois, já membro da instituição e cientista consagrado, Faraday deu grande valor às atividades de divulgação: foi o precursor das ‘conferências natalinas’, palestras públicas sobre temas científicos que se transformaram num evento tradicional da instituição, atualmente veiculadas, inclusive, pela rede BBC. O químico Antonio Carlos Pavão, diretor do museu interativo Espaço Ciência, falou sobre a vertente ‘divulgadora’ de Faraday na última reunião anual da SBPC.

Além de uma de suas principais descobertas, essa semana também marca a data da morte do cientista, que aconteceu em 25 de agosto de 1867.

 Na coluna ‘Do laboratório para a fábrica’, o físico Carlos Alberto dos Santos aborda desdobramentos recentes da obra de Faraday no magnetismo: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/do-laboratorio-para-a-fabrica/um-sonho-prestes-a-se-realizar 

Em outra ‘Foto da semana’, confira mais uma descoberta ‘eletrizante’, feita por Benjamin Franklin: http://migre.me/fUpv3 

Confira uma resenha do livro ‘A pedra com alma’, do físico Alberto Passos Guimarães, que fala da história do magnetismo e de como suas propriedades permeiam nosso cotidiano: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/287/o-magnetismo-em-nossas-vidas 

Confira mais sobre a relação entre magnetismo e divulgação científica: http://cienciahoje.uol.com.br/instituto-ch/destaques/2012/08/ciencia-e-divulgacao-atracao-magnetica/