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Foto da semana: ‘Babilônia 3000 a.C.’

Uma cidade que saiu das lendas para entrar na história. Em 26 de março de 1899 começaram, próximo à região de Al Hillah, no atual Iraque, as escavações das ruínas da bíblica e lendária Babilônia, comandadas pelo arqueólogo alemão Robert Koldewey. Ao longo das duas décadas seguintes, a cidade foi aos poucos sendo revelada: seus palácios, sua grande via cerimonial, ruínas do que podem ter sido dois monumentos perdidos do mundo Antigo, seus famosos jardins suspensos e a caótica torre de Babel.

Uma das maiores fortificações urbanas da Antiguidade, a Babilônia foi uma cidade-Estado fundada no terceiro milênio a.C. Erguida às margens do rio Eufrates, situava-se no coração da Mesopotâmia, cerca de 80 km ao sul da moderna Bagdá, região que viu nascer e perecer diversos povos e impérios. A influência e o poder da cidade variaram muito ao longo dos milênios: sob o reinado de Hamurabi, por volta de 1.700 a.C, foi criado o primeiro código de leis de que se tem notícia, o código de Hamurabi – aquele mesmo da conhecida expressão ‘olho por olho, dente por dente’.

Cerca de mil anos depois, em outro período de crescimento imperialista, destaca-se a figura do rei Nabucodonosor II, o responsável pela construção dos famosos jardins suspensos, uma das ‘maravilhas’ do mundo Antigo. Segundo relatos um tanto vagos de historiadores do passado, a construção era formada por terraços construídos em andares e adornados com jardins botânicos que continham árvores, esculturas e cascatas. Eles dariam acesso direto ao palácio real e foram erguidos para satisfazer as vontades da esposa preferida de Nabucodonosor, saudosa dos campos e florestas de sua terra natal.

Leia mais sobre os jardins suspensos e sobre as outras maravilhas do mundo antigo:
http://pessoas.hsw.uol.com.br/sete-maravilhas-do-mundo-antigo2.htm
http://www.hsw.uol.com.br/framed.htm?parent=sete-maravilhas-do-mundo-antigo.htm&url=http://www.smithsonianmag.com/travel/sevenwonders.html

Entre as principais ruínas descobertas por Robert Koldewey estava uma que ele acreditava ser dos famosos jardins de Nabucodonosor. Porém, as evidências citadas pelo arqueólogo até hoje não convenceram os estudiosos e a busca pelo local exato da suntuosa e mítica maravilha continua.

Em dezembro de 2013, outro grupo alegou ter encontrado os restos dos jardins suspensos, numa área centenas de quilômetros ao norte da antiga cidade da Babilônia: http://noticias.terra.com.br/ciencia/pesquisadora-diz-ter-localizado-jardins-suspensos-da-babilonia,3b7ad0da51a82410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html 

Os jardins não teriam sido a única vista notável na Babilônia, uma cidade repleta de palácios reluzentes, mas com certeza foi um dos maiores prodígios de sua engenharia – mesmo às margens do Eufrates, levar a água do rio até os platôs não deve ter sido tarefa fácil. Além da engenharia e do direito, os babilônicos foram um povo avançado em áreas como a astronomia e a agricultura. Muito dessa rica cultura foi preservado em tábuas de barro cozido com a típica escrita cuneiforme.

Na Babilônia também foi elaborado o primeiro mapa-múndi de que se tem notícia: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2010/277/o-primeiro-mapa-mundi/

Entenda mais sobre a relação da astronomia com as civilizações da Mesopotâmia: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/revista-ch-2009/266/qual-foi-a-primeira-civilizacao-que-se-dedicou-ao-estudo-do-sistema-solar 

Leia sobre a importância do desenvolvimento da escrita para o avanço do conhecimento: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/em-tempo/escrita-e-tecnologia 

Outra construção importante da Babilônia é o Etemenanki, ruína de uma grande torre construída no século 7 a.C pelo rei Nabopolassar e considerada por alguns a verdadeira Torre de Babel da mitologia. 

Leia mais sobre a relação entre Etemenanki e a Torre de Babel:
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ciencia/17601-para-pesquisador-inscricao-e-projeto-da-torre-de-babel.shtml

Leia mais sobre três outras grandes conquistas arqueológicas – as descobertas da tumba do faraó egípcio Tutancâmon, da pedra de Roseta e da cidade inca de Machu Pitchu: http://cienciahoje.tumblr.com/post/77411750852/  | http://on.fb.me/1h6uqcd | http://on.fb.me/14ZUQGs

Para algumas tradições religiosas, a cidade da Babilônia se tornou símbolo do excesso e do poder libertino – a Bíblia, por exemplo, possui diversas referências à cidade, literais e alegóricas. Por essa concepção, seus jardins suspensos e a Torre de Babel seriam grandes símbolos da arrogância e da luxúria da cidade.

Na década de 1980, Saddam Hussein, ao assumir o poder no Iraque, mandou ‘reformar’ o palácio dos reis babilônicos e inscrever nos novos tijolos a frase: ‘Época de Saddam Hussein, protetor do Iraque, que reconstruiu a civilização e reconstruiu a Babilônia’. A iniciativa foi muito criticada por comprometer as ruínas.

As guerras no Oriente Médio também ameaçam essa riqueza milenar: a recente invasão do Iraque danificou muitos sítios e somente no começo desta década foi dado início a um projeto de preservação e restauração dos mesmos, além da realização de novas escavações.

Leia mais sobre o tema: 
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,a-nova-morte-de-babilonia,412855,0.htm
http://www.vice.com/pt_br/read/no-palacio-de-saddam  
http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2003/04/20/iraque-quer-apagar-a-memoria-da-quotbabiloniaquot-de-saddam.jhtm

Confira no sobreCultura uma conversa com o engenheiro-urbanista Carlos Fernando Delphim, que fala sobre jardins, cultura e história: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2012/293/fragmentos-do-paraiso  

Pesquisa sugere que febre do Nilo Ocidental teria sido responsável pela misteriosa morte do conquistador grego Alexandre, o Grande, que também ocorreu na Babilônia: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/historia/o-inimigo-invisivel-de-alexandre-o-grande/

Na CH On-line: Arqueólogos podem ter encontrado o Portão de Plutão, uma porta para o ‘mundo inferior’, descrita em históricos textos gregos e romanos: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2013/04/o-portao-de-plutao

Confira a galeria completa da seção ‘Foto da semana’.

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