Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre o chão de giz.
Zé Ramalho
Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre o chão de giz.
Zé Ramalho

Direto do Instagram oficial (@zeramalhooficial): uma foto com o Reiginaldo Rossi, em tributo.

Imagem da semana: ‘Outros mundos’
Estaremos sós no universo? Há 30 anos a resposta a essa pergunta tornou-se muito mais complexa: em 21 de abril de 1984 foi anunciada a descoberta do primeiro exoplaneta, pelo astrônomo polonês Alex Wolszczan. A comprovação de que nosso sistema solar não era único e de que deveriam existir milhões de similares espalhados pela vastidão do cosmos, além de ‘revolucionar’ a astronomia, aumentou exponencialmente a chance de um dia chegarmos a uma resposta positiva para essa grande questão – afinal, agora temos centenas de milhares de possibilidades de a sutil combinação necessária à vida ter sido atingida em outras partes. Com a descoberta do exoplaneta Kepler-186f na semana passada, o primeiro corpo similar à Terra encontrado na zona habitável de sua estrela, essa questão não poderia estar, com o perdão do trocadilho, mais viva.
As observações de Wolszczan foram feitas ainda em 1990, no Observatório de Arecibo, em Porto Rico, e foram fruto do acaso – uma das grandes molas-mestras da ciência. Em reparos e impedido de apontar para pontos específicos do céu, o telescópio só podia focar numa direção, justamente onde o astrônomo fez sua descoberta. Wolszczan estudava pulsares, estrelas de nêutrons muito pequenas e densas cuja radiação eletromagnética é registrada da Terra como uma forma de pulso bastante regular.
O pulsar PSR B1257+12 e seus planetas (NASA/JPL-Caltech/R. Hurt).
Ele suspeitou que os sinais irregulares da pulsar PSR B1257+12 poderiam estar relacionados ao campo gravitacional de um planeta. Para ter certeza, Wolszczan solicitou pesquisas complementares sobre a localização do pulsar utilizando os 27 radiotelescópios do Very Large Array, no Novo México, Estados Unidos.
Os exoplanetas não eram, na teoria, algo imprevisto – desde a Grécia antiga especulava-se sobre a existência de outros sistemas solares. No século 16, o monge Giordano Bruno foi acusado de heresia ao cogitar a existência de incontáveis sóis com mundos ao seu redor. No começo do século 20 foram ‘descobertos’ diversos exoplanetas, todos logo refutados.
A confirmação final da descoberta do polonês só veio em 1994. No fim, ele havia encontrado três planetas, dois com massas de 4,3 e 3,9 vezes a da Terra e um terceiro com o dobro da massa da nossa Lua – todos orbitando muito próximos ao pulsar.
Imagem da sonda espacial Kepler (Carter Roberts/ Nasa).
O trabalho deu início a uma verdadeira caçada aos planetas extrassolares, que tem como grande desafio o desenvolvimento de aparelhos e tecnologias capazes de identificar com maior precisão sua existência. A missão espacial francesa CoRoT, de 2006, foi a primeira lançada com o objetivo de buscar por mundos fora de nosso sistema solar, tarefa que tem hoje na sonda Kepler, lançada pela Nasa em 2009, sua maior aliada.
Nesses 30 anos, já observamos centenas de novos planetas em todo tipo de arranjo, mas faltava uma descoberta como a realizada na semana passada – talvez a mais importante do campo até aqui: o primeiro exoplaneta de tamanho similar ao da Terra e que orbita na zona habitável de seu sol, ou seja, onde seria possível a existência de água em estado líquido – e, portanto, talvez até de vida. O Kepler-186f está a 500 anos-luz de nosso mundo, tem diâmetro 10% maior que o da Terra e orbita, junto com outros quatro planetas, uma estrela anã que é metade do nosso sol e bem mais fria.
A descoberta aumenta a esperança e permite apostar ainda mais fichas na resposta que poderá mudar nossa compreensão da vida: afinal, estamos sós no universo?
Leia mais detalhes sobre a descoberta pioneira de Wolszczan: http://www.wired.com/2011/04/0421first-extrasolar-planet-discovered-exoplanet/
No site da Nasa, leia mais sobre a história da busca humana por mundos distantes: http://planetquest.jpl.nasa.gov/page/history
Planeta 51 Pegasi B foi o primeiro confirmado em volta de uma estrela semelhante ao Sol.
Confira mais sobre o Kepler-186f: http://www.nasa.gov/ames/kepler/nasas-kepler-discovers-first-earth-size-planet-in-the-habitable-zone-of-another-star/#.U1k9slVdWSo
Diante das frequentes e numerosas descobertas de novos planetas, colunista conta a história da identificação desses corpos celestes, inicialmente associados a divindades: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/fisica-sem-misterio/novos-deuses-no-firmamento/
Estudo que por seis anos varreu a Via Láctea conclui que os exoplanetas são mais abundantes que as estrelas e que os mais leves, como a Terra, são maioria na galáxia: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/01/quanto-planeta/
Projeto da Agência Espacial Europeia (ESA) realizará ‘recenseamento’ na Via Láctea e pretende se tornar uma máquina de descobertas, identificando milhões de novos astros, entre estrelas e planetas: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2013/08/uma-revolucao-nas-estrelas/
Kepler 22b, encontrado em 2011 (NASA/Ames/JPL-Caltech)
Artigo publicado na Ciência Hoje aborda a antiga questão sobre a existência de vida fora da Terra e investiga se os planetas extrassolares da Via Láctea estão em zonas habitáveis: http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2010/267/tem-alguem-ai/
Colunista compara a exploração espacial às Grandes Navegações e destaca objetivos e resultados da aventura humana em busca do conhecimento do universo: http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/fisica-sem-misterio/admiraveis-novos-mundos/
O astrofísico Eduardo Janot Pacheco, pesquisador do IAG/USP e presidente do Comitê CoRot-Brasil, fala ao Estúdio CH sobre os exoplanetas e sobre o trabalho da sonda francesa, com participação brasileira: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/01/outras-terras/
Missão Plato, da Agência Espacial Europeia e com participação de brasileiros, promete analisar um milhão de estrelas em busca de planetas habitáveis semelhantes à Terra: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2014/02/cacador-de-planetas/
Nossa galáxia e seus sistemas planetários (ESO/M. Kornmesser)
Confira o projeto Starshade, um guarda-sol espacial que ajudará na identificação de novos exoplanetas: http://cienciahoje.tumblr.com/post/80806320697/
Conheça o HD 189733b, localizado a 63 anos-luz da Terra, primeiro exoplaneta que teve sua cor descoberta pelos astrônomos: http://cienciahoje.tumblr.com/post/55637815292/
Sistema solar e planeta natal do Super-Homem ganham localização no mundo real, na constelação do Corvo, com ajuda de astrônomo norte-americano: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2012/12/da-revista-para-o-espaco/
Astrônomos criam método, testado com sucesso na Terra, para buscar vida em planetas fora do nosso sistema solar: http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2012/02/nova-luz/
Projeto colaborativo incita internautas a buscar por lentes gravitacionais, fenômeno que revela galáxias e planetas escondidos no espaço: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2013/05/cacando-distorcoes/
Nova versão da clássica série Cosmos, de Carl Sagan, tem como desafio abordar novos temas da ciência, como a existência dos exoplanetas: http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/2014/03/o-cosmos-da-nova-geracao/
Confira a galeria completa da seção ‘Foto da semana’.
Leia mais novidades sobre história da ciência na página da Ciência Hoje On-line.

Victor Emmanuel III (1869-1947) and Elena of Montenegro (1873-1952). King and Queen of Italy, 1900-1946. Photo by Alterocca, Terni. Circa 1905.


Você precisa fazer login para comentar.